quinta-feira, abril 02, 2009

PF

Sim. Foi para fumar que acendi aquele último cigarro. Assim como foi para beber que coloquei nesse copo a última gota. Agora... só espero que você não espere que eu deposite em mim a última centelha de esperança de ter uma boa digestão, após essa última garfada de comida fria e descolorida, das falsas promessas de companhia eterna que um dia você me fez.

quarta-feira, abril 01, 2009

Desapercebido

Era tudo, na verdade, uma questão de tempo. Até que você e eu pudessemos nos acostumar a essa nova vida. Uma vida meio mal vivida, é fato, onde cada um vai pro seu lado logo depois de acordarmos.
Café, almoço ou janta: só sei o que significam sem vc. E mesmo embora a gente se ligando vez ou outra durante o dia, pra tentar ficar junto, muito me frustra a idéia de só poder te ver pela manhã, naquele ônibus lotado que nos leva ao trabalho.
Isso pra não falar das vezes em que quase me esfolo quando ligo no teu trabalho e quem me atende é outra.
Tudo bem se pra você eu pareço estar sendo precipitado. Afinal de contas já se passaram cinco meses e vinte e seis dias. Mas te prometo que da proxima vez que te ligar, ou te encontrar no ônibus, eu vou falar com você, me apresentar, puxar papo, e talvez, quem sabe, a gente pode começar uma amizade.

quarta-feira, março 25, 2009

Two sides of the same world.

I wake up every morning and look around myself. Today, instead of being surprised and happy for having one more day to live, I quickly realized the big mess I am still living in. Despite my good life-style, through my windows, I can see hundreds of poor people sleeping on the stools of the dirty abandoned square that was built a few years ago in front of my building. That really spoils all my expectations of having a cheerful day.
I switched on my television and the news was the same of yesterday: people fighting, people dying, high technological devices being developed daily, war, money, crisis, rape, children exploitation, new findings in medicine promising to heal people… I turned off the television.
This entire situation seems to bother me and I cannot eat, do my work or take a shower. I stopped by the window and I could see some little boys playing in the square. They were running and laughing. Apparently happy, they were playing hide-and-seek, but all I could do was to think about the unhappiness of their lives. Are they really unhappy? I finally wondered.
What is happiness after all? Is it living alone in a luxurious apartment with a lot of money to spend and seeing that all your friends are busy working or spending their own money?
I suddenly opened the window and screamed to the boys “– Hey, kids, are you happy?” From the eighth floor, they couldn’t possibly understand what I had shouted, however they looked at me and smiled.
I closed the window, went to the kitchen, took a glass of water and questioned myself. Who are the ones who make the world? Who makes it sad? Who makes it happy? I thought, is it me, you, or possibly us?
In the end of the day some wealthy people go to bed, lay their heads on soft pillows and before they fall asleep remember they had another horrible day in their life, while some of the poor ones sleep on the concrete beds thanking God for one more day of existence - one more day in which they built castles with cardboards and made feast with leftover scraps of foods.

domingo, março 15, 2009

Apesar da minha fatídica e exposta falta de dicernimento pessoal, prometo desde já que me distanciarei de pessoas mal resolvidas.


-Devia ter era twittado isto.

sábado, fevereiro 28, 2009

Chess

Agora sim. Agora eu sei que nem todo fim significa final. O final no pleonasmo do final das contas significa, em verdade, o ínicio de uma nova coisa, ou como um clichê, o início de um novo caminho. Aquilo que supostamente deixa o palco livre para mais uma encenação é nada mais do que uma continuação diferenciada daquela cena que estava acontecendo. Mas obviamente, nada é mais difícil do que terminar. Ou seria mais difícil o iniciar? Dar os primeiros passos parece ser muito desafiador. Entretanto, colocar o enterrável ponto final é quase como um xeque-mate. Sorte de que ganha, azar de quem perde.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Abri a bolsa, revirei tudo, olhei nos bolsos, nas caixas, nas gavetas, e aquilo que me vem faltando nunca está em qualquer lugar.

sábado, fevereiro 14, 2009

A procura

Procurou palavras para dizer às folhas que ela já não importavam, que daquele momento em diante, só os frutos mereceriam sua atenção.
Procurou palavras para dizer ao vento que ele já não importava, que daquele momento em diante, só o cair da chuva mereceria sua atenção.
Procurou palavras para dizer ao outro lado que ele já não importava, que daquele momento em diante, só o lado de cá mereceria sua atenção.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

espelho

Era uma pessoa muito engraçada.
Não tinha teto, não tinha nada.
Criava flores, sonhava em vão.
Não tinha amores, não tinha chão.
Fazia versos, dançava arte.
Queria vida, era de Marte.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Sêssenta (e sente).

Você finge que não liga.
Você finge que não vê.
Você finge que não gosta.
Você finge sempre ter.

Você finge estar por cima.
Você finge amizade.
Você finge o seu sorriso.
Você finge ter saudade.

Você finge querer bem.
Você finge estar comigo.
Voce finge dez a cem.
Você finge ter fugido.

Finge que não está aqui.
Senta para ver se pensa.
Você finge ser, fingir.
Senta, martela e tenta.

Sêssenta e quer estar aqui.
Sêssenta, reluta e mente.
Sêssenta e eu já tô aqui
Sêssenta e eu sei sêssente.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Elo

Era como trocar de roupas. Era inevitável. Mas tinha um prazo certo de duração. Vinha, se vestia, bebia chá com biscoitos e ficava a apreciar toda a sacra cena. Até que então, enjoava de toda a petrificidade do imutável e mudava de afazer. Cantar, quem sabe? Ou talvez tocar piano? O fato é que nada durava o suficiente para que pudesse apodrecer.

domingo, janeiro 11, 2009

Procura-se

Eu já procurei aqui, alí e alicolá.
Já olhei em todo canto, mas eu não consigo achar.
Antes fosse meu relógio, antes fosse meu dinheiro.
Antes tivesse que achar qualquer agulha num palheiro.
Não me lembro onde tava pra refazer o caminho,
mas sei que não perdi ontem e que eu não perdi sozinho.
Vou pedir sinceramente, vou fazer uma oração.
Por favor a mim devolva quem achou meu coração.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

os seus seis segundos

Um, dois, três, quatro, cinco, seis. O número exato de vezes que eu ouvi meu coração bater. Sim, só pude ouvir, porque nem sentir eu mais o sentia. Cada sentido por si ia falhando a cada novo segundo, se extinguindo até que não me restasse mais nada.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, e eu percebi que nada mais ouvia. Não sabia se essa era a hora em que eu morria ou se era esse o momento em que eu por fim relutaria, brigaria e reageria.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, e eu senti o arder no meu rosto. Arder de sangue que só a tapa da verdade na cara pode causar. Do tipo que desperta e te retira da letargia.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis... e a contagem foi quase infinita, até que enfim retornei a mim: De cara limpa, lavada e estapeada. Pronto para seguir caminho, e dar a outra face a quem quiser bater.

sábado, janeiro 03, 2009

quero dólares

Era o preço a ser pago. Sem desconto ou prestação, nem qualquer adiamento de dívida. Era pagar ou pagar, para depois então poder dar o troco.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

The greatest fear is to be not enough for the other

The greatest fear is to be not the other.
The greatest fear is the other.
The greatest fear is to be enough.
The greatest fear is to be for the other.
The greatest fear is enough for the other.
The greatest fear is to be.
The greatest fear.
the other.


And life goes on this way: We remove things ahead us and then when have a new view once again. Not to satisfy ourselves though, to make them proud, the others.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Tudo outra vez

Não, nada dura. Nada dura para sempre. Dura o tempo exato para que depois possamos sentir saudade ou então o tempo exato para que depois passamos dizer "ufa, que bom que acabou",
Mas então, o que fazer quando a situação se complica e as duas situações despontam de uma só vez? Você, estatualizado, figurando em cima de um muro qualquer a ponto de não saber mais a quantos passos anda, olha pra trás, olha pra frente e sorri. Não de alegria é claro; pelo menos não de alegria plena. E sim por ter feito uso do seu poder de escolha, que lhe permite viver em troca do apenas existir.

domingo, dezembro 21, 2008

Laiá

Como é super deprimente
criarmos dentro da gente
algo que a gente pensa que sente
mesmo sabendo que se mente.

Fica aqui na nossa mente,
e a gente transporta pro coração.
Se fingindo de demente
em troca de alguma atenção.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

A espera

E quando me faltar o ar nesse último instante de silêncio quero ouvir o teu afago, beijar o teu cheiro, mirar tua voz e abraçar teu riso. E assim, nós dois em silêncio arrojado, faremos um grande barulho outra vez. Sussurando palavras nunca ditas, como em um desses nossos momentos de frenesi, em que tudo o que podemos externalizar é a pura transpiração de mentiras.
Não há muita verdade entre a gente. Há dois seres que mutuamente se satisfazem daquilo que podem exprimir um do outro. Uma simbiose vital que nos interconecta, até que a verdade venha à tona e nos roube a mentira e a vida de uma vez.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Gole a seco.

- Sabe aquela sensação de borboletas no estâmago?

- Sei!

- Seguido daquele formigamento nas extremidades do corpo?

- Sei!

- Depois aparece o suor, que começa como orvalho e logo depois vira cachoeira?

- Sei!

- Aí vem a eletricidade, os membros ficam mórbidos...?

-Sei, sei!

- A agitação aqui dentro começa, você não consegue se controlar, e acaba por fazer aquilo que supostamente não queria?

- Sei, sim! O que tem?


- Me mostra como sentir assim?

- COMO É?

-Eu sei que é te pedir muito, mas é que tem um vazio enorme, aqui dentro de mim.

- ...

quinta-feira, novembro 20, 2008

zero

Muitas vezes eu só via
o que pensava que sentia,
mas chegava o fim do dia
e, eu já nem mais sabia.

Depois eu pensei que era,
troquei sonho por quimera.
Pude ver o que senti
e de mim então fuji.

E hoje nem mais eu sonho.
E hoje eu nem mais me sinto.
Não me apego ao verdadeiro.
Hoje eu não mais me minto

segunda-feira, novembro 03, 2008

Já paguei

De uma hora para outra,
tal qual um sorriso que desponta,
as coisas mudam de forma e lugar,
e a dita cuja pessoa te desaponta.

O que fazer? O que fazer?
Paga pra ver.
Esquece as impossíveis promessas, cai em outra.
E paga pra ver.
Porque a vida é mais bonita quando vista dos dois lados.